Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Sábado, 3 de maio de 2008

Amados,

Graça e Paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,

Meu esposo e eu estivemos lendo hoje a publicidade web do V CBM, e confessamos que ficamos muito emocionados com evento, pois somos missionários tranculturais, e capacitadores de missionários e de obreiros no México e Centro America, e enviamos obreiros ás etnias não alcançadas.

Porém como em muitos Congressos de missões feitos por algumas organizações missionários na America Latina, o custo para um simples missionário, que ganhar salário de missionário, que tem uma família missionária, que vivi e come missionário, que come como missionário... O Custo do CBM é caríssimo!

Conversamos meu esposo e eu, (meu esposo é pastor- missionário mexicano, homem apaixonado e dedicado a Obra Missionária), que aqui no Brasil existem muitos pastores, lideres evangélicos, missionários interessados em participar do CBM, porém sua realidade econômica e geográfica os limita a tal congresso...

Talvez este seja um desabafo de obreiros de campo, que sabe que a realidade missionária é muito difícil, e que deveríamos ser mais sábios para gerar de forma responsável obreiros bem preparados para os não alcançados...

Conhecemos alguns dos preletores que estarão ai no V CBM, e sei que eles estão de acordo conosco. O Pr . Waldemar sabe a dura realidade que passar seus obreiros no México e em outros Pais onde trabalho Kairós, obreiros estes que são meus amigos pessoais lá... e sei que também para eles seriam quase impossível pagar o custo total para participar deste CBM, pois seria para eles , como é para minha família o custo de 2 meses e meio de salário, somente a hospedagem como casal, sem somar o custo para nossos filhinhos, que nasceram no campo missionário (como o minha filhinha que nasceu em uma etnia Oaxaqueña, que fala zapoteco, no México)

Também existem muitos pastores aqui no Ceará aonde a gente se encontra agora..., e creio que vários cantos deste lindo Brasil, que desejam participar destes Congressos. Porém suas finanças não alcançam. Eu sempre digo que o dinheiro deveria ser o menor problema para a Obra, porém a verdade é que, um obstáculo a mais para que logremos mobilizar e promover a Obra Missionária no Mundo e no Brasil não é exceção ( sabe que o mundo ai a fora diz do Brasil, que somos um exemplo de envio de missionário, que estamos muitos passos a frentes deles.) Claro que sim, o missionário Brasileiro sai literalmente pó FE... por amor ao chamado... Porque foi assim que eu fui ao Campo transcultural, graças a Deus por meu amado Pastor e Igreja Enviadora , que tem sido fiel comigo por estes 15 anos de ministério missionário e nossos projetos para as nações (do meu esposo que é mexicano e meu). É interessante que este homem se diz não saber muito de missões, e além de sustentar nossos projetos as nações, envia Voz dos Mártires, a Portas Abertas, e outras ofertas de amor generosas, e ora de forma constante pelos países perseguidos. Este homem nunca teve a oportunidade de participar destes congressos. Imagine se participasse!!!

Agora, poderemos impactar o Brasil em missões, se somente os mesmo participam? (veja seus dados estadísticos ). Como iremos ampliar e fazer com que isto seja algo fundamental na Igreja Brasileira se somente alguns podem entrar neste congresso?

Nós missionários estamos acostumados a todo tipo de situação ( Fp 4.10-12), e devemos convocar obreiros transcultural que esteja disposto a todo tipo de situação. Assim preparamos novos obreiros, como Cristo preparou os primeiros 12 obreiros...

Como diria meu amigo Jonathan Lewis (editor do livro de Missões Mundial e fundador do CCMT Argentina), como estes missionários irão enfrentar os 50° C do Norte de África, se estamos convocando-lhes em um ambiente luxuoso. ( Nem Jonathán, nem nós temos nada contra o luxo, por isso vamos ao Céu, rua de ouros, rarara), mas falo da realidade do Campo real. Meus ex- alunos estão hoje nas serras, vales, caminhando, para levar a mensagem do Senhor, sabendo que vale a pena, pois é a Vontade de Deus. Trabalham levando de forma integral. Você sabe o que é levar calcados para crianças que nunca usarão sapatos, numa montanha esquecida por tanta gente, porém lembradas pelos caminhões da Coca- coca company. Isto dói no meu coração missionário, que conclui que esta empresa tem a visão de ir até ali e que seus empregados são treinados a enfrentar todo e qualquer clima, e situação para levar seus produtos, e nós como Igreja?

Talvez, você pense que estas palavras são loucura...

Que pensaria os organizadores deste CBM, se meu esposo cancelasse a capacitação de vários obreiros aqui em Sul America e nos lugares para ir ao CBM? Pois o custo como casal é superior a das nossas viajes a Argentina. Tenho escolha?

Entenda amados... Conhecemos aqui no Brasil milhares de pastores e irmãos interessados por missões...

Eu sou fruto de Congressos de Missões aqui no Ceará, onde o pr. Waldir pregava, junto com Carlos Queiroz... E eu economizava meu lanche da universidade para pagar a inscrição de R$ 30, e hospedagem com direito a um cantinho para colocar o coberto para dormir, ai eu conheci dezenas de pessoas que hoje estão no campo no Continente Africano, Índia, Leste Europeu, Centro America, México, etc.

Pregadores maravilhosos como Pr. Waldir e Pr. Carlos Queiroz, Pr. Waldemar, etc., faziam parte destes eventos há 16 anos, que impactaram fortemente uma geração de jovens...

Amados, que esta reflexão nos ajude a todos a melhorar, pois muitos necessitam ouvir o evangelho, muito devem participar da Grande Comissão. ( Mt 9.35-38)

Abramos mais oportunidade a todos os que amam Missões neste País de participar, de colaborar, de Ir, Orar e Ofertar para a expansão do Reino de Deus.

Amén.

Em e Por Cristo Jesus,

Francisco e Cláudia de Pérez

Diretores da Missão Nova Vida

missão_nova_vida@yahoo.com.br

paclauli@yahoo.com.mx



Terça-feira, 1 de Abril de 2008

A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DE JESUS

Por Silas Tostes

Certamente, desejamos que a partir do Evangelho (de Jesus), que haja mudanças nos campos missionários. De fato, já passamos da fase na qual queríamos ver somente almas salvas. Há vários anos a Missão Antioquia zela pela transformação de Jesus, que vai além dos aspectos pessoais e inclui os sociais também. E, assim influencia a realidade ao redor. Porém, sem a mudança interna, de coração, que vem de Jesus, é difícil conceber relevante mudança social.

Todos concordamos que injustiça social é um mal. A mesma pode ser manifestar nos níveis: municipal, estadual e federal. Em diferentes sociedades, injustiça social poderá se manifestar dentro daquelas diferentes formas de organização social. Dificilmente, haverá mudanças significativas quando todos os setores de uma sociedade ainda estão sob a influência do ego humano e seus interesses. Precisa haver mudança a partir do transferir de um reino para o outro. Paulo referindo-se a isso disse em Colossenses 1:13 - Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor. Sendo assim, é Jesus que liberta das trevas e transporta para a luz (reino de Deus). Por mais que desejamos fazer o transporte, somente Ele pode fazê-lo. Quanto mais pessoas influentes e corruptas são transportadas por Jesus melhor, pois, assim mais positivo será o impacto social de tê-las transformado

Há muitos exemplos de como Jesus transporta uma pessoa das trevas para a luz, produzindo mudança social. Um dos mais significativos é o exemplo de Zaqueu. Ele era o maioral dos publicanos. Os publicanos consistiam em judeus que cobravam impostos para o governo romano. Por isso, eram desprezados por trabalharem para um dominador estrangeiro. Eram geralmente desonestos. Na prática, Zaqueu era o chefe da Receita Federal Romana, na Palestina, ou da sua localidade pelo menos. Todo o sistema de cobrança de impostos passava por corrupção. E assim, os publicanos se enriqueciam. Era uma riqueza maldita e socialmente odiada.

Ocorreu uma grande mudança na vida de Zaqueu. De repente seus valores mudaram. Como isso ocorreu? Jesus simplesmente o transportou das trevas para a luz. Como fez isso na prática? Jesus produzia transformação pelo relacionar com as pessoas no estado de trevas que estavam. Às vezes, parece muito santo isolar-se, mas o santo é ser santo nas trevas. Não era assim com Jesus? A mudança social, que foi implementada por Ele, passava pelo interagir com as pessoas nas trevas, as transportando para a luz. Odiado como Zaqueu era, poucos teriam coragem de entrar na sua casa. Isso daria a impressão de fazer parte do sistema de corrupção. Sem mais nem menos, Jesus ao passar olhou para a árvore onde estava Zaqueu e disse: desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. (Lc. 19:5) E convinha mesmo? Do ponto de vista de beneficiar-se das trevas, nas trevas, não convinha. Mas do ponto de vista de ser luz nas trevas, apresentar Jesus, produzir mudança pessoal que redundasse em mudança social, convinha. Se Jesus transporta as pessoas como mencionado. Então, as pessoas precisam conhecê-lo. E nada melhor do que fazê-lo por meio de uma prolongada visita.

Seria maravilhoso ter todos os detalhes da visita de Jesus a Zaqueu e saber tudo a respeito. Porém, o que está escrito é suficiente para nós. Jesus foi desprezado pela coragem de visitar Zaqueu. Logo, presumiram que Ele endossava os erros sociais de um maioral dos publicanos. E por isso, está escrito: Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador. (Lc. 19:7) Mesmo que desprezado pela coragem de entrar na casa de Zaqueu, Jesus o visitou. Era pelo interagir com as pessoas no estado de corrupção e pecado que estavam, que ocorreria a mudança pessoal, que resultaria em mudança social. Sob a influência do poder transformador de Jesus, Zaqueu teve seu coração transformado. Arrependeu-se de seus pecados, teve seus valores das trevas mudados para valores da luz. Um corrupto que produzia injustiça social, agora estava disposto a não roubar e até mesmo restituir. Nas próprias palavras de Zaqueu: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. (Lc. 19:8).

Vemos que a mudança pessoal de Zaqueu redundou em impacto social. Mas para isso, Jesus teve que enfrentar mais uma vez rejeição social. Mas o que teria ocorrido, se Jesus comportasse segundo as expectativas sociais? Teria Ele tido algum impacto na vida de Zaqueu? Teria Zaqueu, em arrependimento, decidido dar metade dos bens aos pobres? Teria decidido devolver quatro vezes mais o que tinha roubado? Agora pense, se os ricos do mundo investissem nos pobres. Pense o que aconteceria se os exploradores devolvessem quatro vezes mais. Pense no impacto pessoal e social de mais pessoas sendo transformadas por Jesus nos campos missionários. Pense no impacto da Igreja não ser convencional e quebrar desprezo e ostracismo social para interagir com a sociedade e mudá-la.

Veja o comentário de Jesus sobre a mudança de valores na vida de Zaqueu: Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa... Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. (Lucas 19:9-10). O conceito de salvação de Jesus vai além de um coração alvo como a neve. Inclui também reais arrependimentos, que mostrem verdadeira transformação, produzindo integridade e impacto social por meio da mesma. Veja um bom exemplo hoje nas palavras do missionário Laurindo:

"Cheikh foi menino de rua. Tinha fugido de casa para não estudar. Usou drogas e roubou. Alcançado por um ministério específico com adolescentes das ruas de Dakar, entregou sua vida ao Senhor há pouco mais de três anos. Depois de dois anos trabalhando conosco, Cheikh aprendeu a amar a Enfermagem. Atualmente está se dedicando a uma formação intensiva de três anos como Enfermeiro. Seu diploma lhe dará direito a dirigir até mesmo um Posto de Saúde. Se Deus quiser, será o futuro administrador da Casa de Ajuda. Além do mais, Cheikh faz parte do Conselho de Líderes da igreja Casa de Oração. Tem verdadeira paixão por Jesus".

Não teria a transformação pessoal de Cheikh iniciado um processo de mudança social? Jesus não produz mudança social a partir de transformação pessoal?Jesus não transforma hoje? Ele não usa missões? As significativas mudanças sociais passarão por um encontro real e pessoal com Jesus. Pois, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. (Jo. 14:6).











O Choque de Civilizações

Por Marcos Amado


Apesar de ter sido publicado há vários anos, o livro O Choque de Civilizações* continua sendo extremamente atual e importante.

Foi escrito pelo professor Samuel Huntington, da Universidade de Harvard, e basicamente defende a importância das culturas locais (as quais, nas suas manifestações mais amplas, são civilizações) como “motivadoras de alianças e choques no mundo contemporâneo". Ele divide o mundo atual em sete civilizações: Ocidental, Latina Americana, Africana, Islâmica, Chinesa, Hindu, Ortodoxa, Budista e Japonesa. Devido às diferenças sociais, culturais, econômicas e religiosas, as que provavelmente entrarão em choque, de acordo com Huntington, são a Ocidental, a Islâmica e a Chinesa.

O autor faz uma análise bastante detalhada das características dessas civilizações, principalmente a Ocidental. Vários aspectos me chamaram bastante atenção: o primeiro é a diferenciação feita entre ocidentalização e modernização. As diferentes civilizações estão se modernizando, mas não necessariamente se ocidentalizando. Ou seja, apesar de aceitarem certos aspectos modernos, elas mantêm seus princípios e valores. Portanto, segundo Huntington, falar de uma "ocidentalização global” é pura falácia.

Outro ponto interessante é que o autor, apesar de estar focado em questões sociais e políticas, condena o Ocidente – principalmente a Europa – por negar as suas raízes cristãs, enquanto as demais civilizações – principalmente a muçulmana – firmam-se cada vez mais em suas raízes religiosas e/ou filosóficas. Alguns chamam isso de "a revanche de Deus”, porque depois de um período em que os filósofos acreditavam que o mundo se afastaria do conceito de um ser divino e todo poderoso, a partir dos anos 70 ocorreu exatamente o contrário: avivamento religioso e fundamentalista em várias regiões do mundo.

Na opinião de Huntington, o Ocidente corre o risco de perder a sua hegemonia, não só por questões econômicas ou demográficas, mas, principalmente, porque existe uma marcada manifestação de declínio moral que inclui:

1. Aumento do comportamento anti-social, como o crime, o uso de drogas e violência de uma forma geral;
2. A crise do conceito de família, incluindo um aumento sensível no número de divórcios, filhos ilegítimos, gravidez na adolescência, e famílias com pais solteiros;


3. Declínio considerável do envolvimento da população em geral com organizações de caráter humanitário;


4. Uma diminuição na ética de trabalho e um aumento do culto da indulgência pessoal;


5. Diminuição no compromisso relacionado com atividades intelectuais, com uma conseqüente diminuição dos níveis de escolaridade.

Huntington crê, ainda, que a esperança de um Ocidente forte teria que passar por uma renovação dos aspectos morais e aumentar o reconhecimento e afinco à herança cristã que está na base da criação e desenvolvimento dos países ocidentais.

É claro que a tese de Huntington levantou muita polêmica em diferentes partes do mundo. No entanto, se estiver correta (pelo menos em parte), seu impacto é profundo, o que me leva a perguntar qual é o papel dos cristãos diante da realidade do mundo atual. Será que estamos sendo luz e sal da terra? Será que, de alguma forma, poderíamos contribuir para evitar um "choque de civilizações"? Será que devemos nos conformar com o fato de que, nas culturas em que a presença do cristianismo é extremamente reduzida, há mais preocupação com a situação da família, com o cuidado dos mais velhos, um maior compromisso com a educação, uma ética trabalhista menos egoísta e um maior compromisso social? Sem dúvida, são aspectos que devemos considerar seriamente à luz da Palavra. Creio que, como cristãos, poderíamos ter um impacto mundial muito maior se realmente estivéssemos dispostos a levar mais a sério o que a Bíblia diz. Que o Senhor nos dê muito discernimento

nestes tempos de grandes desafios.


Marcos Amado


*O livro pode ser encontrado na Livraria Saraiva online: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=390760&ID=3EFC40117D5081B0A0F1A0154



Sábado, 29 de Março de 2008

Missões e Teologia

Um Paradoxo?

Reflexões Necessárias a Respeito


Que perfil nos vem à mente ao refletirmos sobre as qualificações consideradas ideais para um obreiro envolvido na obra missionária, e esta transcultural? Não será difícil, creio eu, considerarmos importante que este seja alguém desprendido, tenaz e, preferencialmente, sem muitas, permitam-me, frescuras, sejam elas emocionais ou de ordens práticas. Sim, um missionário transcultural tem que ser uma pessoa com uma força de vontade acima da média. Alguém disposto a deixar para trás seus queridos, igreja, confortos e sonhos de realizações pessoais. Esta disposição precisa se manifestar alta também em relação ao local da expressão ministerial para onde o Senhor o conduziu. De forma geral, no imaginário evangélico popular, este é o perfil desenhado por aqueles que verbalizam o quadro de um missionário transcultural.



Há irmãos que, inclusive, quando há têm oportunidade de encontrarem pessoalmente um obreiro desse tipo sentem-se até um pouco constrangidos, muitas vezes. Ele lhes parece diferente. Afinal é ou foi alguém que se embrenhou nas matas isoladas, ou percorreu tabancas no interior africano, ou deparou-se com a fúria de radicais árabes. Deve ser alguém diferente! Seria ele mais consagrado que nós? Talvez mais corajoso e atirado? O que será??? Mistifica-se e/ou mitifica-se tais obreiros como se fossem pertencentes a outra dimensão de ser humano.



Pouco pensamos a respeito de qualificações de nível acadêmico ou teológico. Aliás, imagina-se até que, quanto menos academicismo nesse caso, melhor. De um missionário, normalmente, não se espera que seja alguém afiado em termos teológicos ou com os tais “academicismos”. Basta ser corajoso, dedicado, meio louco. Afinal, o que tem a ver selvas, ou plagas africanas, ou desertos inóspitos com alto grau de conhecimento bíblico/teológico/missiológico? Para quê?



A “cultura evangélica brasileira” -e as aspas não têm a intenção de tornar jocoso o termo-, presente em nossas concepções de entendimento da obra de Deus, nos leva ainda a pensar que, quanto mais simples e básica for a formação de um missionário, provavelmente melhor obreiro ele será. Não raro esta “cultura” nos leva até a pensar que provavelmente foi a não possibilidade de dar-se bem aqui, talvez, por falta de melhores ferramentas para a vida, que o levou a tornar-se missionário transcultural, e isto não foi, necessariamente, ruim. Parece que o conceito do aqui, do ali e do além são quase que determinantes para especificar a graduação do obreiro, e esta, da maior para a menor e mais simples, ou, talvez, nenhuma.



Será mesmo necessário que um missionário desse tipo tenha um curso pesado de teologia? Missiologia, pra quê, ou melhor, o que é isso? Afinal, no meio da selva ou de tabancas africanas, ou entre povos radicais árabes, o que menos conta é conhecimento teológico. É preciso, sim, coragem, disposição, garra. Ledo engano.



Não podemos deixar de considerar que os questionamentos teológicos de homens, isolados ou não, do campo missionário ou da cidade, são exatamente os mesmos de qualquer homem sem o conhecimento verdadeiro de Deus. O conhecimento bíblico/teológico, habilidades acadêmicas, e pensamento arguto precisam ser os mesmos, seja de um líder num grande centro ou de um missionário -líder, igualmente- no campo transcultural.


Correções se fazem necessárias nessa “cultura evangélica brasileira”, a começar por esta perversa e alimentada consideração de que, para missões, qualquer obreiro serve; qualquer coisa serve. Paira no imaginário popular evangélico que, para missões, concepções minimalistas são suficientes e adequadas. Precisamos conscientizar nossos irmãos de que melhores obreiros devem seguir para o campo. Melhor preparados, com teologia sólida, conhecimento bíblico consistente e poder de persuasão afinados com o Espírito do Senhor. Missões tem tudo a ver com a teologia, e vice-versa. Os campos missionários transculturais precisam, merecem nosso melhor capital humano. O mais bem preparado; o mais hábil bíblico, antropológico e teologicamente falando. Sim, é necessário que os obreiros sejam corajosos e coisas do gênero, no entanto, estes predicados e qualidades não substituem aquelas.



Não há qualquer problema ou impedimento em a teologia fazer parte do ser missionário, pelo contrário, não há missões sem percepções teológicas abalizadas e fundamentadas em ensino fiel das Escrituras. Na verdade, não deveríamos permitir que nossos jovens dessem seus primeiros passos, iniciassem qualquer envolvimento missionário efetivo sem um ótimo alicerce teológico, antropológico e missiológico. Não se admite mais hoje que obreiros mal preparados se dirijam aos campos. Cabe a nós, a mim e a você, revermos os conceitos que incompatibilizam missões e teologia. Não há paradoxo nisso, mas sim, completude. Providenciemos melhor preparo aos nossos novos obreiros. Antes até, que sejam eles melhor selecionados. Apoiemos e invistamos em seu preparo adequado e consistente para que de forma mais contundente e fiel tornem o nome do Senhor conhecido de todas tribos, povos, línguas e nações do mundo.



Outubro e o 5º. Congresso Brasileiro de Missões se aproximam. Seu foco também aprecia o melhor embasamento que a nova força missionária necessita obter, além de outras cuidados e atenções mais. Nós, igreja do Senhor Jesus, não podemos continuar com a concepção subjacente de que, para missões transculturais, qualquer obreiro serve, qualquer coisa se adequará. Se nossas igrejas locais, real e efetivamente, são a fonte a suprir com homens e mulheres a obra missionária, é nesta fonte que precisamos corrigir este perverso pensamento. Deixemos de ser minimalistas no que diz respeito àqueles que se engajarão na causa transcultural do Senhor. Providenciemos melhor preparo, melhores estruturas, mais seriedade para um embasamento correspondente às agruras, desafios e oportunidades do trabalho missionário transcultural.



João Luiz Santiago

Obreiro da Missão Evangélica da Amazônia -MEVA.

Coord. Dpto. Missões do Seminário Bíblico Palavra da Vida -SBPV